DISTÚRBIOS DA PUBERDADE

A puberdade define-se como o período de transição entre a infância e a idade adulta, em que se obtém a maturação sexual completa. Neste período têm lugar importantes alterações físicas (desenvolvimento das características sexuais secundárias, aparecimento da menstruação nas meninas, crescimento), psicológicas e psicossociais, adquirindo-se a capacidade reprodutora.

O que é o desenvolvimento puberal normal?

Como todo fenômeno biológico, o desenvolvimento puberal apresenta um espectro variável de início, bem como no seu ritmo evolutivo. Nos extremos do intervalo de normalidade encontram-se a aceleração constitucional do crescimento e puberdade (ACCP) e o retardo constitucional do crescimento e puberdade (RCCP). As crianças e adolescentes com ACCP, RCCP ou aquelas representativas da média da população geral, nascem com alturas semelhantes e atingem sua altura final geneticamente determinada. Porém, o crescimento e o desenvolvimento puberal ocorrem em ritmos diferentes, o que se caracteriza como uma variação tanto da época de início quanto da duração da puberdade.

Critérios estabeleceram o limite de normalidade para o início puberal em 8 anos para as meninas e em 9 anos para os meninos.

Adicionalmente, sinais de puberdade isolados (aparecimento de pelos ou mamas) podem estar presentes em idade abaixo dos 8 anos, sem que haja associação com aumento significante da velocidade de crescimento (VC) ou da idade óssea (IO), caracterizando variantes incompletas. Estas situações não têm indicação de tratamento por não comprometerem a altura final da criança.

A puberdade precoce representa um grupo de doenças que abrange desde as variantes normais do crescimento até condições cujo rápido diagnóstico e tratamento podem ser fatores decisivos para a sobrevida da criança (alguns tipos de tumores). A avaliação do endocrinologista é fundamental para determinar se há realmente puberdade precoce ou se é apenas uma variação do normal.

Por que devemos tratar a puberdade precoce?

São dois os principais problemas relacionados com a puberdade precoce: a baixa estatura e os possíveis distúrbios psicossociais que a criança pode apresentar.

O avanço desproporcional da maturação óssea, secundário ao efeito dos hormônios, determina o fechamento prematuro da cartilagem de crescimento e reduz a estatura final. Em idade adequada, o bloqueio da liberação dos hormônios é capaz de prevenir ou mesmo recuperar a perda da estatura.

Quem deve ser tratado?

Variáveis ou definições a serem analisadas:

1) idade do início da puberdade

2) definição de “significante avanço da idade óssea”;

3) definição de “diminuição da previsão da altura final”

4) valor dos hormônios (no basal e após estímulos)

A indicação de tratamento não deve estar vinculada apenas à idade de apresentação dos sinais de puberdade, mas também à rapidez de sua progressão com previsão de perda da altura final. Nestes casos, a investigação e o tratamento devem ser instituídos o mais breve possível.

As causas de puberdade tardia são múltiplas, pelo que é importante perante uma primeira avaliação, uma história clínica detalhada, tanto pessoal como familiar, um exame físico cuidadoso, e uma série de exames complementares.

O atraso constitucional do crescimento e da puberdade considera-se uma variante da normalidade, portanto, na maioria dos casos uma explicação clara aos pais e pacientes, junto com um seguimento e adequado apoio psicológico são suficientes. Nos casos em que existe um atraso importante com graves repercussões psicológicas e sociais (fracasso escolar, baixa autoestima, depressão) estará indicado tratamento.

Doenças crônicas graves (insuficiência renal, fibrose cística etc.) podem estar associado a um atraso da puberdade e isso geralmente é associado a gravidade da doença de base. Nestes casos é fundamenta o tratamento adequado e precoce da doença de base associado a uma adequada nutrição, para prevenir na medida do possível o atraso da puberdade.

Nos casos em que a criança não entrará em puberdade espontaneamente (hipogonadismo), no tratamento será necessário induzir ou completar o desenvolvimento das características sexuais secundárias e, posteriormente, estabelecer um programa de terapêutica hormonal de substituição. A escolha do melhor tratamento deve ser individualizada, mas em geral o ideal é mimetizar uma puberdade normal, evitando sobretudo comprometer a altura adulta. A avaliação do endocrinologista é fundamental para determinar se há realmente puberdade atrasada ou se é apenas uma variação do normal.

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