Endometriose

É uma doença que acomete entre 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva.

No que ela consiste? Dentro do útero há um tecido chamado “endométrio”. Com a menstruação ele descama. É neste período menstrual que o endométrio pode se deslocar para trompa, ovário ou alças do intestino. Ou seja, o tecido endometrial cresce fora do útero, podendo provocar um processo inflamatório que, com o tempo, pode impactar a saúde da mulher.

A endometriose está ligada ao ciclo menstrual e os hormônios que fazem a menstruação acontecer, sendo o estrogênio do corpo que alimenta a doença.

Como fatores de risco pode-se considerar:

  • a idade – mulheres de 30 a 40 anos
  • genética (mãe, irmã que apresentaram a doença
  • período menstrual com duração superior a 7 dias ou ciclos menstruais inferiores a 27 dias.

Outros pontos que têm sido estudados referem-se ao fato de a endometriose tem o comportamento de uma Doença Auto-Imune, quando o sistema imunológico do corpo ataca e danifica seu próprio tecido; ou uma doença de imunodeficiência secundária, quando o sistema imunológico é comprometido por fatores externos, tais como vírus, excesso de estrogênios no corpo, quimioterapia, toxinas e poluição.

De acordo com a Associação de Endometriose dos Estados Unidos, pode haver uma relação entre a exposição à dioxina (TCCD) – um subproduto químico tóxico, xenoestrogénos da fabricação de pesticidas e o desenvolvimento da endometriose.

Um grupo de pesquisadores liderado por Stacey Missmer, da Universidade de Harvard, examinou a literatura científica existente para analisar as evidências atuais sobre o risco de doenças crônicas em mulheres com endometriose, tais como hipotireoidismo, fibromialgia, síndrome de fadiga crônica, câncer (ovário, mama e pele melanoma), doenças auto-imunes, asma e doenças cardiovasculares, conforme aponta a Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Biologia.

Quero chamar a atenção para as auto-imunes: mulheres com endometriose tem maior risco de desenvolver doenças como lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de Sjögren, esclerose múltipla, artrite reumatoide, doenças inflamatórias intestinais (como a doença de Crohn e colite ulcerativa) e doença celíaca.

Considerando que tantas mulheres com endometriose sofrem de outros problemas de saúde graves também, isso indica que a causa “raiz” – digamos assim, é oriunda de um sistema imunológico comprometido .

Com base no comportamento da endometriose de doença autoimune, remover comidas que tenham propriedades inflamatórias e elevar os níveis de vitamina D são medidas que auxiliam no processo de tratamento. No caso de pacientes em estágios avançados, em que há indicativo de remoção cirúrgica do foco da doença, a nutrição adequada auxilia de forma a que a inflamação não retorne.

A endometriose, diferentemente da S.O.P. – que falaremos na segunda-feira, pode ter conexão com alimentos inflamatórios. Enquanto a S.O.P. tem sua origem metabólica, podendo ser ativada por carboidratos, açúcar e farinha refinadas, que contribuem para desregular o ovário.

Embora em muitos casos seja assintomática, a endometriose pode causar dor pélvica ou infertilidade.

Entre os sintomas da endometriose temos:

• Dor antes e durante ciclos menstruais
• Dor durante relações sexuais
• Infertilidade
• Fadiga
• Dor ao fazer xixi durante os períodos
• Outros distúrbios gastrointestinais, como diarreia, constipação, náusea.

Como lidar com a endometriose?

Quando falamos em endometriose é possível compreender que há uma interação complexa nos mecanismos de defesa do organismo da mulher para impedir que ocorra a doença.

E, tendo a endometriose um comportamento de doença autoimune, é benéfico mudar os hábitos de vida, com base numa alimentação isenta de produtos inflamatórios, aliada à prática de atividades físicas, inclusive yoga por exemplo.

Com isso, é possível reestabelecer a fisiologia do organismo.

Assim, quando falamos de sistema imunológico e reforçar suas defesas com base naquilo que consumimos, já nos deve acender o alerta de que excluir os industrializados (com seus corantes, conservantes e etc.), açúcar refinado, farinha branca, refrigerantes, glúten (sim, é um alimento que pode ser inflamatório), gordura hidrogenada ou trans.  Procure consumir vegetais verdes, como o espinafre, alface etc., crucíferos, como repolho, brócolis; sementes de linhaça; legumes; frutas secas e sementes.

Você pode reduzir os sintomas da endometriose com uma alimentação mais regrada, como é o caso da exclusão de alimentos inflamatórios e apostar em folhas, vegetais e frutas (orgânicos), ovos caipiras, peixes marinhos de pequeno porte (Tainha, Robalo, Anchova, Pescada), castanhas e outras nozes, quinoa, arroz integral, lentilha, grão de bico, óleo de coco, azeite de oliva e muita água.

Além disso, nutrientes à base para imunidade, regulação hormonal, controle de cólicas e humor é uma boa opção, portanto invista em alimentos ricos em vitamina B6; Selênio; Zinco; Magnésio; Cálcio; Ômega 3; Vitamina A, C, D2, E e Ferro.

Mudanças no estilo de vida, incluindo o que você come e o quanto de atividade física você pratica, podem ter impacto na menstruação.

Por conta do estrogenismo, que consiste no excesso do estradiol, pode ser indicado como conduta terapêutica a introdução da progesterona isomolecular como forma de reduzir o excesso de estrógeno. Isso porque, por conta da endometriose muitas vezes ocorre de a mulher apresentar déficit de progesterona no organismo.

Mas, como reestabelecer isto?

A progesterona é um hormônio produzido naturalmente no organismo da mulher, que desempenha um papel na manutenção do ciclo menstrual feminino, gravidez e desenvolvimento humano. Durante o ciclo menstrual, o estrogênio estimula o crescimento do endométrio, que é o revestimento interno do útero. Após a ovulação, a progesterona secretada pelos ovários inibe o crescimento do endométrio e estimula a remodelação do tecido.

Como a endometriose é uma condição em que o endométrio cresce em lugares fora do útero, a terapêutica com progesterona tem sido usada para tratar a doença, sendo a progesterona isomolecular– ou seja, que possui a estrutura molecular idêntica à produzida pelo organismo humano, uma boa indicação nestes casos com fins terapêuticos.

Procure seu médico!

Publicado por

Dra. Priscilla Machado Arruda

Priscilla Machado Arruda Médica | Endocrinologia | Nutrologia Medicina Preventiva e Integrativa. Qualidade de vida. 📪 pri_fmachado@yahoo.com.br I 👻 pricambs 🌍 Tianguá - CE

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