Uma vitamina que não é só uma vitamina!

VITAD

Ao longo da última década, tem sido finalmente reconhecido nos meios científicos que a deficiência de Vitamina D é uma pandemia que assola todos os redutos deste planeta.

E o principal motivo é a completa falta de percepção de que existe uma quantidade ínfima de Vitamina D presente na natureza e nos alimentos, insuficiente, portanto, para o atendimento das nossas múltiplas e complexas demandas metabólicas

O outro ponto importante é que as necessidades diárias requeridas para a completa suficiência metabólica do corpo humano se encontram em patamares muitas vezes acima dos níveis preconizados nas chamadas RDAs (recomended daily allowances).

As RDAs para a Vitamina D foram estabelecidas em 1963 pelo Instituto Americano de Medicina, quando inexistia, literalmente, qualquer suporte de evidências práticas ou científicas que ajudassem a definir quais seriam os níveis circulantes ótimos para a otimização da saúde, e não para o tratamento de uma doença ou comorbidade.

Desse modo, as doses que foram estabelecidas e validadas para o uso em adultos, eram mero empirismo, fato admitido pelo próprio instituto.

As doses foram baseadas em um modelo de doença, ou seja, a quantidade necessária para prevenção do raquitismo (300 a 400UI/dia), ao invés da quantidade necessária para a otimização da saúde, que são muitas vezes maiores.

Nos anos 60 a única consequência reconhecida em medicina de deficiência de Vitamina D era a Osteomalácia. Sendo assim, foi observado que a administração de 200 UI/dia era suficiente para evitar aquela condição.

(Michael F Holick, et al.
Vitamin D: Physiology, Molecular Biology and Clinical Applications 2013, Human Press)

Agravando ainda mais a situação, o diagnóstico laboratorial de deficiência de Vitamina D utiliza limites de referências obsoletas, que encontram-se muitos campos abaixo dos níveis circulantes ótimos requeridos para o atingimento da excelência metabólica.

Começando pela vida fetal, sabemos hoje que a deficiência intrauterina de Vitamina D encontra-se diretamente relacionada a doença hipertensiva específica da gravidez (pré-eclâmpsia), trabalho de parto prolongado, aumento da incidência de cesáreas e futuros distúrbios respiratórios na criança.

Durante a infância, a deficiência de Vitamina D está diretamente relacionada a incapacidade de atingimento da altura geneticamente programada, baixa densidade mineral óssea e aumento dos riscos de fratura na idade adulta.

Ainda durante a infância, a deficiência de Vitamina D constitui-se em um claro fator de risco para o diabetes tipo 1, esclerose múltipla, artrite reumatoide e doença de Crohn.

Em adultos, a deficiência de Vitamina D encontra-se intimamente correlacionada a incidência, dentre outras, das seguintes condições: osteopenia e osteoporose; 
câncer; 
doenças infecciosas; 
deficiência imunológica; 
doenças auto imunitárias; 
infarto; AVC; 
diabetes tipo 2.

Daí vocês me pergutam por que ela é tão idispensável para o perfeito funcionamento do corpo humano: simplesmente porque ela é um hormônio esteroide e não de uma vitamina + porque seus receptores estão presentes em TODAS as células, órgãos e tecidos humanos (sendo a maior quantidade encontrada nos ossos, fígado, cérebro, medula, sistema reprodutivo, timo, suprarrenal, hipófise e tireóide).

Principais funções da Vitamina D:

  • Absorção intestinal de cálcio;
  • Absorção de fósforo;
  • Importante cofator para a liberação pancreática de insulina;
  • Importante papel na síntese dos fatores de coagulação;
  • Importante papel no desenvolvimentos dos ossos e 
dentes;
  • Importante cofator para a fisiologia da tireóide;
  • Estimula a mineralização óssea.

Sua principal fonte nada mais é do que o sol, pois a produção dessa vitamina se dá por meio dos raios ultravioletas do tipo B (UVB), que ativam a síntese dessa substância. Além da exposição solar, que confere ao nosso corpo 80 a 90% da quantidade de vitamina que recebemos, podemos obtê-la também através da alimentação.

Principais Fontes Alimentares (em ordem decrescente de concentração):

  • Sardinhas
  • Salmão
  • 
Atum;
  • 
Camarão
  • Manteiga
  • 
Sementes de girassol
  • Fígado
  • Ovos
  • Leite
  • Cogumelos
  • Queijo
  • Um copo grande de leite contem 100UI.
  • Os derivados do leite contem concentrações praticamente inexistentes de Vitamina D.
  • Na prática, ainda que sejam ingeridos de forma diária, os alimentos fornecem aportes totalmente inadequados de Vitamina D.

Grupos de Risco:

  • Vegetarianos e intolerantes a lactose (que constituem a vasta maioria dos seres humanos), possuem níveis circulantes extremamente baixos de Vitamina D.
  • Idosos velhos (que convertem menos Vitamina D a partir da pele),
  • Obesos
  • Negros (altos níveis de melanina na pele reduzem e conversão natural).

Sintomas Clássicos de Deficiência:

  • Distúrbios do metabolismo ósseo
  • Raquitismo em crianças;
  • Osteomalácia em adultos.
  • Redução dos níveis séricos de calico e fósforo;
  • Aumento do risco de osteoporose;
  • Espasmos musculares.
  • Causas Clássicos de Deficiência:
  • Envelhecimento (menor síntese a partir dos raios solares);
  • Redução da absorção de gorduras (síndrome do cólon 
irritável);
  • Medicamentos (fenitoína);
  • Medicamentos bloqueadores da absorção de gorduras (orlistat);
  • Glicocorticoides sintéticos (prednisona);
  • Uso de protetores solares.

Causas Contemporâneas de Deficiência:

Migração populacional para áreas de latitude elevada: Ao longo dos últimos séculos tem sido registradas migrações de grupos populacionais para áreas mais frias, com menor incidência de radiação solar.

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Demonização do sol: defendendo o uso maciço de protetores solares, e advogando que a exposição ao sol está correlacionada com o câncer de pele.

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Redução da exposição natural a luz solar: A maior parte das atividades dos grandes centros urbanos envolve trabalho indoor em escritórios ou fábricas, transporte em automóveis ou coletivos e uso de roupas que cobrem vastas áreas de pele.

images-4Se você está fazendo reposição de Vitamina D não se esqueça de:

  • – Ingerir 2 a 3 litros de água por dia
  • – Eliminar a ingestão de leite e restringir a ingestão de laticínios

Se você ainda não está fazendo a sua reposição, consulte um médico antes de fazer uso de qualquer substância que contenha Vitamina D, principalmente se for em altas doses, pois existe uma situação clínica grave causada pela intoxicação de Vitamina D.

Publicado por

Dra. Priscilla Machado Arruda

Priscilla Machado Arruda Médica | Endocrinologia | Nutrologia Medicina Preventiva e Integrativa. Qualidade de vida. 📪 pri_fmachado@yahoo.com.br I 👻 pricambs 🌍 Tianguá - CE

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